Hereditariedade

O peixe saiu do mar pulou a pororoca e subiu o rio foi até a fonte nascente para ver quem chorava surpreso, viu que era o céu. Me viu sentado numa pedra olhando um passarinho que estava fazendo um ninho na lua. Ele chocava os filhos de Deus. como eu, que caem na terra O […]
Entre o céu e a terra

Meus amigos O vento, a chuva Há mar, a água A flor, há criança O sol da manhã As estrelas Há música O trabalho A frio há vida E quem me dá tudo isso…
Exilados

Como vão vós? Como são sós? .
Phoenix

à Carolina Cinzas cinzas acinzentadas negras pretas saltitantes pirotécnicas. Cinzas para todos os gostos gastos casos fins usos ventos tempos. Cinzas de todos os tamanhos graus tons prismas feitios. Cinzas boas ruins alegres vivas tristes. Cinzas de seu jeito simples cheiro gostoso amor convicto querer me querendo rosto em meu rosto sono em meus braços […]
O menino dos olhos de ontem

Era triste Foi feliz Era raso Foi fundo Era esquecido Foi lembrado Era vago Foi alvo Era ele Foi todos Era ontem Foi hoje…
Patética

Não há poema Nenhum sabor de morango Encravado está o céu De estrelas em alto relevo A luz pinga da lâmpada Grosseiros disfarces de sol Revelo o segredo ao futuro Descascando línguas presas Gaguejadas de timidez Apresso o ser vencido Escapulindo entre os ralos Releio a mão prensada Concílio de vivências Abafando o gemido Dos […]
Me erra!

Preciso escrever sobre aquilo E, sobre isso, até vacilo Essas palavras são do português Não são minhas, palavra! Será que o meu pensamento É meu, penso Você leu, escrevi Cúmplice, agora já sabe O que vamos fazer Sabe que escrevi, soltei Você leu, está dentro de ti E agora?
Âmago

Quero me livrar da poesia Descer correndo pelo cano Fluir com a água da pia Ver onde vai dar meu engano Olhar como tudo se transforma Como a profecia sai do profeta Como o espírito se conforma Como a poesia sai do poeta Sair de vagar da vida Curar o que abra ferida Partir na […]
Decoração

Eu queria te escrever Queria riscar você Do meu caderno Te pintar de outrora Acabar agora Já está acabado Mostrar ao sonho a verdade Te derrubar na realidade Te apagar do meu olho Cisco, te tirar com um sopro A tua imagem Fugir do teu corpo Te tirar, tatuagem Redesenhar o futuro Sair desse escuro […]
Qual quer?

à Regina Lutterbach Sorrisos meros, de instantes Lábios secos, sem calor Quem sabe, tenham amor Esses olhos inconstantes Por desdenho ou esperança Apenas palavras expelidas Quantas verdades contidas Confusão, eu em mudança? Mente em ogiva platônica Cativa ao infinito Fuga, torpor, devaneio? Não sei és inocente Tão pouco antepor quero Serás amiga do efêmero?