Quimera
Em árvores de natal
No momento natal
De olhos na tal
Na tal que vem
Natal que vai
Quimeras dependuradas no céu
Bolas de sabão do cosmo
Luzes que brilham no coração
Amor por tantas estrelas
Deus que jamais duvidou do homem
Deu tanta beleza e insignificância
Para que fosse capaz de amar
Como pode um peito não causar
Lágrimas diante da emoção…
Felicidade prescrita
Tenho papel em branco
E lápis para rabiscar
Do peito ainda arranco
Poesia para te encantar
Não tenho um carinho
Um colo como abrigo
Navego ao sabor
Onde leva meu umbigo
Já senti indiferença
Do desprezo provei
Assombrações mostram
O quanto eu já rezei
Catei muito cavaco
Aos tropeços cheguei
Já cai em buraco
Trôpego, me levantei
Se, estou meio amargo
Foi tudo que sobrou
Quem comeu o doce
Foi só o que deixou
Vou de pingente
Nesse trem para dor
Como custa chegar
A estação do amor
Cruzo pelas vidas
Atravesso pensamentos
Até marco corações
Com belos momentos
Ferido e cambaleando
Ainda consigo cantar
Me desfazer num verso
E te dar meu último olhar…


Díspar
Saia correndo…
Uma mulher parada
Pelada
Pega!
Nu
Um
Dança Ravel
Revel dançou
Num
Amor
Numa
Partida
Num, Rui
A vida
Numa, Aída
Revolta
Paraíso
Para isso
Não precisa
O relógio
Caneta
Sem dó
Fecunda
Doa tinta
Troa
Ribomba
Desaba
Palavra
Que papel!
Dou a palavra
Não faço
Papelão
Para parar
Amparar
Apara peito
Tomara que caia
Seca água
Gelo derrete
De certo
Mata a sede
Grávida
Dádiva
Ar rebento
Desperta
Talento
Muito tempo
Demora
Juro, ora!
Acidente
Cobra bote
Arma leão
Pelo cão
Quem cata, logrou
Catálogo
Cata algo
Alguém, achou
Assino
Anônimo
Anonimato
Um vivo…


Down
Se tenho futuro não vejo, tenho o presente -sinto- ausente, se tenho passado, nem ao menos tenho pensado. Lembro, te amo, não amo, amei, me dano. Meu corpo, ser alma, plena, plana, meu nirvana, tudo desarticulado. O meu lirismo, a minha crença, a minha dança, o meu som, tudo desafinado. Medo do amor, esperança do amor, o amor dança a música do efêmero, coisa que temo. Meu amor futuro que não vejo, meu presente ausente. O meu passado? meu passado é a saudade do meu futuro.
Há esperança!
A utopia anda a espreita
Sobrevive a poesia…

