Morrer de amor

Meu coração parou,
Estou vivo…



Como iam dizendo

Ora direis ouvir estrelas!
Onde canta o sabiá
Que nada nos defina
Ser ou não ser
Só sei que nada sei
Eureca
A sorte está lançada
Diga ao povo que fico
Deus está morto
Perdoai-vos Pai
Até tu Brutus
Abracadabra
Faça-se a luz!
Eu tenho um sonho
O sonho acabou…



Carapanã & Tucandera

Acre vida
Selva
Mata
…


Fragilidade

Tudo é efêmero,
De repente
Algo não funciona…


Dogmesticar

Hoje, a verdade é plural.
Verdade verdadeira, só o dogma.
Bater com o dogma até domesticar…



Consumista 

Dei meu amor pra ela,
Esbanjou, gastou tudo…



Babel virtual

É tanta informação,
Que cada vez,
Temos mais dúvidas…


Tatoo

Já não sei o que fazer
Com teu beijo e teu abraço
Tatuagem de amor
Que ainda carrego no corpo
Suado de saudade
Nem sei se tomo um banho…



Hora da virada

Hoje é dia de puxar o extrato do ano,
Pra ver o saldo.
Se a vida está em vermelho,
Pegue um empréstimo de esperança.
Se tá positivo, invista em mais vidas…



Concepção

Ela abortou meu verso.
Mais um poeminha morto…



A maré

Tu vai vivendo e acumulando amor. Ele vai crescendo, crescendo
Quando tá de bom tamanho, quase imensurável, tu dá pra alguém
Esse alguém, pode adicionar mais amor ao teu amor e a coisa se tornar a suprema felicidade
Ou então, esse alguém, só sai gastando teu amor e, ele vai se acabando, até nada mais
Aí, tem que começar tudo de novo…



Hipótese do amor

às outras
Você me propõe um olhar
Contenho-me no vazio
Apenas, o rubor assola-se
E as pupilas dilatam-se

Você me propõe a palavra
As cordas vocais não proferem nada
Apenas, meu coração ventríloquo
Deixa fugir ressonâncias afetivas

Você me propõe um abraço
Refugo um passo
Meus músculos latejam
Ante tal probabilidade

Você me propõe um beijo
O corpo aturdido camba
Sibila no ar, espaço infinito
Um beijo, fica apenas, o intento

Você me propõe o amor
A semântica da palavra
Confunde-se na mente
A assimilação inexiste…