Ditongos da vida

O vento esvai
A alma cai
O amor vai
Como quem trai

O que passei
E já sonhei
Como eu amei
E acreditei

O amor foi
A alma dói
E a dor mói
Angústia, ôi!

Saudade flui
Alguém concluí
Do qu’eu já fui
É ilusão, intui!



Lá vem ela

Fico ficando
Sorrindo de nervoso
Chorando de alegria
A barriga remexendo
Pupilas dilatando
As pernas bambeando
Coração acelerando
O fôlego faltando
A libido pulsando
Ela chega chegando,
Contagia e ilumina…



Framboesa

Quando penso em você
Encho o corpo de saudade
Fico te imaginando
Estremeço de vontade…



Na real

Quero viver meus sonhos.
Quando estiver cansado.
Dormir, e cair na realidade…



Só pó

A dor cruza céus e terras,
Atravessa tudo, sem pena nem dó

Deixa rastro e resto de amor por onde se perde.

Tudo chora, corpo, alma e espírito.

Parece que não existe corpo, só dor.
Um monte de carne inerte no chão.

Você sai de tudo,
De dentro do nada.
Partícula de poeira no universo.
O nada existe!



Amor puro

Um amor sem nenhum motivo para amar que não seja o próprio amor.
Um amor mais puro, um amor de nada pelo nada, só por amor.
Um amor sem interesses ou condições.
Amor pelo amor simplesmente.
Amor de livre amar.
Sem máculas, que não carrega em si, nada que não seja o próprio amor, sem senão ou condição,
Um amor ainda, não lido, escrito ou pensado.
Um amor que ainda não tinha sido sentido ou imaginado.
No balaio dos amores, esse ainda não tinha existido.
Mais um para ser amado.
Como o amor puro é bom! Poder deixar fluir sem se preocupar, porque não tem condição para existir.
Um amor concreto e denso.
Nem platônico, nem abstrato. Não sei se vem do coração, do corpo, do pensamento ou da alma.
Mas, desconfio que exista um amor maior, que não é o que esse é.
Um amor além de simplesmente a amar.
Porque esse é apenas o amor entre um homem uma mulher.
Como é bom amar…



O menino dos olhos de ontem

Era triste
Foi feliz

Era raso
Foi fundo

Era esquecido
Foi lembrado

Era vago
Foi alvo

Era ele
Foi todos

Era ontem
Foi hoje…



Cortando cebola para fazer amor picadinho

Chorei…



Um dia fora do tempo

Em êxtase, escrevi em teu corpo,
O mais belo poema de amor.
Escrevi com minha carne e meus nervos,
Com o pulsar de minhas veias,
Com os batimentos do meu coração.
Escrevi com toda a pureza sublime de um ser.
Com o que de mais belo,
Um homem pode sentir por uma mulher.
Entranhei-me em suas entranhas,
Até nos transfundir; alma com alma.
Rimamos nossos corpos na poesia da vida.
Nossas emoções singraram por nossas mentes,
Fazendo estremecer nossas existências,
Deixando um selo na nossa pele.
O momento supremo num dia fora do tempo…



Poesia I

Te espero nas páginas em branco…