Estilo piegas
à Beatriz
Quando, ao escavar o coração
Com a pá da saudade, encontro
Sempre o fóssil de seu amor
Que, exposto à ação de Carbono
Quatorze, leva-me a utopia
De outrora, àquele amor que era…
A fotossíntese de minha alma
Alimentada pela luz de
Teu olhar e a clorofila de
Teu beijo. Mas, a cálida flor
Não germinou seu pólen e, ante
A erosão da vida, esvaiu-se
Geólogos e historiadores
Arqueólogos e fariseus
Saibam que; nos hieróglifos
Do meu ser, existiu um amor
Que será patrimônio e acervo
Histórico de meu museu interior…
Lápide
Visionário introspectivo
Penetrando no que tens trancafiado
Por uma fresta do teu olhar
Vasculhei teu interior, o âmago
Vi um baú com amores esquecidos
Tinha um armário cheio de alegria
Numa porta grande e bonita
Me deparei com tua esperança
Tinha uma escada comprida
Que ia dar numa porta velha
Suja e cheia de teias
Cheirei, soprei, passei a mão
Ali tinha uma inscrição
Onde se lia a palavra solidão
Tinha uma janela para o céu
Abri, e ali estava sua fé
Noutra porta, uma bica pingando
Era a tristeza que deixavas esvair
Na porta dos fundos
Batendo no peito
O cofre dos segredos
Usei todos meus poderes
Ali dentro vi meu nome
Escrito no teu coração de pedra…
