Anticoncepcional
Preciso de uma musa
D’uma bela de uma presa
Para brincar de vida
E manter a chama acesa
Quatro folhas me atrevo
O amor passa tangente
Viajo através da ilusão
Dependurado pingente
Catando as surpresas
Com a sorte danço
Meu coração sonâmbulo
Em sonhos balanço
Desencontro na procura
Do pensamento já caio
Vou deixando de voar
De esperar, lacaio
Estremecem horas doces
Como um poste prostrado
Sou alvo das lembranças
Estou lá, preso no passado
Jogo pérolas aos poucos
Os frutos já não saciam
O que ainda canto não vaio
Mas, as dores já mereciam
Escrevo para ninguém
À uma forma difusa
A esperança abusando
Todo esse vazio ela usa…


Felicidade prescrita
Tenho papel em branco
E lápis para rabiscar
Do peito ainda arranco
Poesia para te encantar
Não tenho um carinho
Um colo como abrigo
Navego ao sabor
Onde leva meu umbigo
Já senti indiferença
Do desprezo provei
Assombrações mostram
O quanto eu já rezei
Catei muito cavaco
Aos tropeços cheguei
Já cai em buraco
Trôpego, me levantei
Se, estou meio amargo
Foi tudo que sobrou
Quem comeu o doce
Foi só o que deixou
Vou de pingente
Nesse trem para dor
Como custa chegar
A estação do amor
Cruzo pelas vidas
Atravesso pensamentos
Até marco corações
Com belos momentos
Ferido e cambaleando
Ainda consigo cantar
Me desfazer num verso
E te dar meu último olhar…

