Antihamlet

Eu vivo, estou espantado com isso
Eu vejo, eu penso, eu escuto
Eu falo, eu sinto -não sei o que-
Eu sou gente, um ente
Parece que não sou nada
Sou apenas um pensamento
No universo, um eco
Que espoca no firmamento
Não existo!

Verdade II

A verdade é que ninguém sabe a verdade…

Sonhos

Aos mortais, viver…
Aos imortais, amar…

Unicórnio

Montado na solidão
Galopo pelo nada

Pensamento alado
Varando as lembranças

Meu coração, puro sangue
Sem rédeas, pasto livre

Tocado pelas esporas da vida
Levando chicotadas do amor

Relincho, empino e bufo
Diante de uma potranca…

Há um alguém

Quando a saudade bate;
Tem gente que chora
Tem gente que ri
Sempre tem gente na saudade…

Esse oco amor

Tenho uma flexa no peito
E uma lança na cabeça
Toda vez que penso, dói
Até que a razão esqueça

O sangue esparrama pela alma
A lembrança rega o passado
Dentro não tem mais nada
Está tudo esquisito e parado

Ninguém imagina, essa rima!
O amor preso, atolado
Esse sufoco que me sacode
E me joga para todo lado

Borboletas e bílis
Doces de recordação
Coração nu e oco
O vácuo frustra a ação

Não faço nada para rir
Nem cantar dá som
Ouço longe a alegria
A chorar, um bobão…

Nana

Noite, é  quando Deus cobre a Terra e diz “Durmam bem…”

Icebergs pensantes

A ciência está tão avançada que, acho,
Ninguém mais vai conseguir morrer…

Gênero geográfico

Terra cartesiana, a foto é quadrada…

Crença I

Se você acredita em algo que te faz bem,
E a ser melhor do que eu,
Isso é o quê importa…

Genealogia

Tenho antepassados mitológicos.
Filho do ventre das estrelas.
Ser um mano de todos…