Leseira

Tem gente monótona
Parece um relógio
Tudo certinho
O tempo todo
Quando atrasa,
É um desespero…

Xantipa no Platão

Está lá no livro.
Que Sócrates escreveu.
Mas que, ninguém leu…

Sumidouro

A nossa mente é uma extensão da natureza,
de tudo que nos cerca.
Cheia de coisas belas mas,
também, tem muita coisa que não cheira bem…


Distração II

Muitas vezes, ler é melhor do que encarar a nossa realidade…

Coquetel

Não tome tudo como verdade,
pode ser um porre…


Viver II

A liberdade de dormir e acordar…

Egoterapia

Trovoadas na mente
O coração revolto
A tristeza se faz presente
E o pranto corre solto

A vida está à deriva
No mar do universo
Não há alegria que sirva
Nem a emoção do verso

Esta luta traz cansaço
A esperança sofre desgaste
Minha fibra não é de aço
Procuro apenas o que me baste

Faça dia ou faça noite
Faça sol ou faça chuva
Há sobre mim um açoite
Um peso que me curva

Minha satisfação é tão pouca
O sorriso de uma criança
O olhar de uma mulher – louca –
E a saudade na lembrança

O resto é vivergetar
Sair numa pescaria
No trabalho me jogar
Ou fazer qualquer porcaria

Ainda há a espiritualidade
Que me dá esperança e tristeza
Meu sustento de humanidade
Que me traz dúvida e certeza

Constantemente me cobro e me cobram
Perdi o ímpeto e espontaneidade
São poucas, as coisas que sobram
As tentativas, os erros e a vitalidade

Apesar de tudo tenho gratidão
Faltam-me o êxtase e o amor
O espírito e o homem em união
É este meu pequeno clamor

A solidão é fato
A frustração é verdade
A acomodação é ato
Só existe a vontade

Tanta coisa latente
Tudo a ponto de explodir
E essa confusão demente
De me jogar e me dividir

Distraio-me com coisas fúteis
Procuro provar que penso
Pequenas quimeras inúteis
Para ver, se o vazio venço

Sinto-me amargo
Aprecio a doçura dos bons
Que passam ao largo
Onde estão meus dons

Faço parte do todo
Mas, me acho perdido
Sinto que estou no lodo
Entre o nada dividido

O que dá força ao meu dia
É a natureza e saber que ainda vivo
Mas, à noite tudo se esvazia
Por não saber para que sirvo

Já fui contente e feliz
E plagio que não sabia
Muita coisa fui e fiz
Embora, numa vida vadia

Vivo de música e poesia
E de alguma coisa que não sei dizer
Já tenho o pão e a azia
Falta o circo e o prazer

Sou eterno porque sou efêmero
Sou tudo porque não sou nada
Sou como o que penso e escrevo
Porque sou uma dúvida inacabada

Mas, também, sou filho de Deus
Tão pequeno que nem sei o tamanho
Misericórdia pelos erros meus
Que eu não lhe seja um estranho…


Réquiem

Não me procure mais
Não sonhe mais comigo
Nem pense mais em mim

Me tire da tua felicidade
Saia dos meus poemas
Devolva meu coração

Suma das minhas fotos
Esqueça o meu nome
Não sou mais nada teu

É o nosso fim, só dores
Isso é tudo, nada somos
Enterre o passado e cubra de flores…



Entremeio

Entre rio e mar, água
O cruzeiro do sul, intrometida
Distância e tempo, espaço
Futuro e passado, presentes
Início e fim, infinito
Noite e dia, sonhos
Dia e noite, realidade
Nascer e morrer, vida
Dentro e fora, porta
Fada e gênio, desejo
Céu e terra, nuvens
Esperança e realidade, ilusão
A raposa e as uvas, Esôpo
Eu e você, destino
Amores, vazio
Parabéns, felicidades
Horas, ponteiros
Linhas retas, pontos
Histórias, rastro
Cáries, risos
Margens, pontes
Olhos, nariz
Pincéis, tinta
Fogo, salamandras
Estrelas, céus
Ventos, nuvens
Letras, palavras
Selvas, matas
Luzes, fios
Orações, fé
Cristo, nós
Tudo, Deus
Pensamentos, ?
linha
Podcast

Marçó

Abstrato concreto
Obra de arte
Verruga da terra
Calombo na vida

Impoetizável e incontável
Como paixão, amores, berinjelas
Como números e ovos
Mas, comestíveis e indigestos…

Saudade

Tô meio lá, meio cá…