As palavras das palavras
Não sou poesia, apenas um texto ou um verso desinteressado, sem pretensão, talvez, um apoema.
Meu canto é, de letras e palavras perdidas que vagueiam pelaí, sem destino…
Umas sairam de gritos, outras de desespero e de frases engolidas por bocas com sangue…
Tem umas que entraram por um ouvido e sairam por outro, correndo dos conselhos.
Umas foram jogadas ao vento. Outras subiram ao céu, em prece, com pressa na esperança
As gaguejadas e as sussurradas também contam. Vividas da timidez e da doçura dos desejos.
Ainda, as que falaram com as paredes, são as nulas. Tontas por ouvidos bondosos.
Tem umas que ecoam até ao futuro, para lembrar os que juram, de promessas do passado.
Mais, as secretas e confidenciais e, as de sentença de destinos, de esquecidos e condenados.
As de juras de amor, reviradas de dor e lamentos do que não foi e nem será.
Tem palavrão bonito e elogios xingados. Além das mentiras meladas e verdades vencidas.
Umas de prosa mas, sem rimas, que se acham obras primas. Sem jamais passarem por um livro…
Autobiografia
Alguém andando sobre a Terra. Ambulante amador de letras poetáveis, cercado por palavras, contos, encontros, encantos, amores, abobrinhas, resquícios, abstrações, peixes, reticências, crisântemos, ornitorrincos, vibrações, murmúrios, bolos, lamúrias, memórias, lapsos, turmalinas, devas, morenas, cantos, estrelas, dores, mar, frivolidades, bombons, objetos de estimação, versos adversos, profiteroles, felicidades e outras
guloseimas tangíveis que estremecem os olhos susceptíveis aos aspectos táteis de emoções profiláticas rudimentares resumidas no prefácio do coração…


Estilo piegas
à Beatriz
Quando, ao escavar o coração
Com a pá da saudade, encontro
Sempre o fóssil de seu amor
Que, exposto à ação de Carbono
Quatorze, leva-me a utopia
De outrora, àquele amor que era…
A fotossíntese de minha alma
Alimentada pela luz de
Teu olhar e a clorofila de
Teu beijo. Mas, a cálida flor
Não germinou seu pólen e, ante
A erosão da vida, esvaiu-se
Geólogos e historiadores
Arqueólogos e fariseus
Saibam que; nos hieróglifos
Do meu ser, existiu um amor
Que será patrimônio e acervo
Histórico de meu museu interior…
Um dia fora do tempo
Em êxtase, escrevi em teu corpo,
O mais belo poema de amor.
Escrevi com minha carne e meus nervos,
Com o pulsar de minhas veias,
Com os batimentos do meu coração.
Escrevi com toda a pureza sublime de um ser.
Com o que de mais belo,
Um homem pode sentir por uma mulher.
Entranhei-me em suas entranhas,
Até nos transfundir; alma com alma.
Rimamos nossos corpos na poesia da vida.
Nossas emoções singraram por nossas mentes,
Fazendo estremecer nossas existências,
Deixando um selo na nossa pele.
O momento supremo num dia fora do tempo…