Oh Glória

Se você acredita em algo
Que te faz bem e,
A ser melhor do que eu,
Isso é o que importa…



Quimera

Em árvores de natal
No momento natal
De olhos na tal
Na tal que vem
Natal que vai

Quimeras dependuradas no céu
Bolas de sabão do cosmo
Luzes que brilham no coração
Amor por tantas estrelas
Deus que jamais duvidou do homem
Deu tanta beleza e insignificância
Para que fosse capaz de amar
Como pode um peito não causar
Lágrimas diante da emoção…

Reflexão

Estou refletindo com o Sol.
Na cabeça, o canto dos pássaros,
Sempre me alertando que há vida fora do pensamento…

Voe

Solte teu coração pra ver onde ele vai pousar…



Felicidade prescrita

Tenho papel em branco
E lápis para rabiscar
Do peito ainda arranco
Poesia para te encantar

Não tenho um carinho
Um colo como abrigo
Navego ao sabor
Onde leva meu umbigo

Já senti indiferença
Do desprezo provei
Assombrações mostram
O quanto eu já rezei

Catei muito cavaco
Aos tropeços cheguei
Já cai em buraco
Trôpego, me levantei

Se, estou meio amargo
Foi tudo que sobrou
Quem comeu o doce
Foi só o que deixou

Vou de pingente
Nesse trem para dor
Como custa chegar
A estação do amor

Cruzo pelas vidas
Atravesso pensamentos
Até marco corações
Com belos momentos

Ferido e cambaleando
Ainda consigo cantar
Me desfazer num verso
E te dar meu último olhar…



Díspar

Saia correndo…
Uma mulher parada
Pelada
Pega!

Nu
Um
Dança Ravel
Revel dançou

Num
Amor
Numa
Partida

Num, Rui
A vida
Numa, Aída
Revolta

Paraíso
Para isso
Não precisa
O relógio

Caneta
Sem dó
Fecunda
Doa tinta

Troa
Ribomba
Desaba
Palavra

Que papel!
Dou a palavra
Não faço
Papelão

Para parar
Amparar
Apara peito
Tomara que caia

Seca água
Gelo derrete
De certo
Mata a sede

Grávida
Dádiva
Ar rebento
Desperta
Talento
Muito tempo
Demora
Juro, ora!

Acidente
Cobra bote
Arma leão
Pelo cão
Quem cata, logrou
Catálogo
Cata algo
Alguém, achou

Assino
Anônimo
Anonimato
Um vivo…
 


Antítese II

Vamos deixar a felicidade de lado.
Vamos tratar de sermos felizes…

Verossimilhança

Somos tão parecidos que somos iguais até nas diferenças…



Gênese

Estar vivo é muito estranho…



Down

Se tenho futuro não vejo, tenho o presente -sinto- ausente, se tenho passado, nem ao menos tenho pensado. Lembro, te amo, não amo, amei, me dano. Meu corpo, ser alma, plena, plana, meu nirvana, tudo desarticulado. O meu lirismo, a minha crença, a minha dança, o meu som, tudo desafinado. Medo do amor, esperança do amor, o amor dança a música do efêmero, coisa que temo. Meu amor futuro que não vejo, meu presente ausente. O meu passado? meu passado é a saudade do meu futuro.
Há esperança!
A utopia anda a espreita
Sobrevive a poesia…



Arapuca

Botaram poesia na ratoeira
Querem me pegar

Ventilador no banheiro
Querem me lambuzar

Rede na varanda
Querem me balançar

Saída na entrada
Querem me escorraçar

Pimenta nos olhos
Querem me refrescar

Heavy-metal no rádio
Querem me ninar

Atalho na estrada
Querem me desviar…



Crença II

É verdade, não acredito…