Erudição ou eu sou muito besta
Descartes escrevia torto por linhas retas
Marx financiou o capital
Sartre não existia
Dante alegre era uma comédia
Esopo era fabuloso
Noé arcou com os bichos
Homero disse e ia
Hitler não teve raça
Napoleão não mostrou sua boa parte
Abraão foi judiado
Freud era muito complicado
Nietzsche dava uma de Clark Kent
Nero era fogo
Shakespeare comia queijo com goiabada
Ghandi não resistiu
Sócrates era platônico
Galileu, a igreja não
Zeus era, Adeus
Muitos foram Santo, outros São
E se Cristo morreu para nos salvar
O que eu estou fazendo aqui?


Será, é, era
O futuro é daqui a pouco estará na próxima palavra existo existiu um futuro o presente é já! já era o que existe de maior é o passado acho que não existe nada tão grande quanto ele que chega até a roubar um pouquinho do presente até quando cito que ele existe o futuro é tão pequeno e tão infinito pode acabar na próxima virgula – que vírgula? – e também ultrapassar o texto a folha a tinta da caneta todas palavras que conheço esgotar o dicionário a minha vida a tua vida a vida de todos a terra e o universo não o passado não é maior que o futuro maior é o futuro que só acaba em Deus não maior é o presente que fez parte do passado e fará parte do futuro até chegar adeus…


Água
Água das veias
Que vem do veio
Água que lava
Água da lava
Que incandesce
Água, que a nuvem
Leva, água leve
Água que leva ao longe
O barco, a vida
Água que lava a ferida
Acesa, que punge, geme
Água que pinga
É a gota d’água
Água que seca, no frio
Esfria a alma
Água que desaparece
Evapora, deságua
É água que some
Se eleva
Água que canta
Água que chora
Água que não segura, escorre
Vaza, esvazia a água
Leva, me leva embora
Pro parto da flor
Do mar de orvalho
Água da canção
Que o vento, vela
Água quimera
Água que banha, a terra
Água que molha,
Os olhos dela
É a lágrima da espera
Oh! minha cabocla, leva!
Essa rosa amarela
Leva para Yansã
Eu fico aqui amando
O mar, natureza bela
Que meu coração revela
Diz a Yemanjá que
Minha alegria, sela!

