Felicidade prescrita
Tenho papel em branco
E lápis para rabiscar
Do peito ainda arranco
Poesia para te encantar
Não tenho um carinho
Um colo como abrigo
Navego ao sabor
Onde leva meu umbigo
Já senti indiferença
Do desprezo provei
Assombrações mostram
O quanto eu já rezei
Catei muito cavaco
Aos tropeços cheguei
Já cai em buraco
Trôpego, me levantei
Se, estou meio amargo
Foi tudo que sobrou
Quem comeu o doce
Foi só o que deixou
Vou de pingente
Nesse trem para dor
Como custa chegar
A estação do amor
Cruzo pelas vidas
Atravesso pensamentos
Até marco corações
Com belos momentos
Ferido e cambaleando
Ainda consigo cantar
Me desfazer num verso
E te dar meu último olhar…


Petrópolis
à Regina Pimentel
Eu vou subir
Para sentir frio
Para te dar calor
De volta ao passado
Para ver teu presente
Para te dar o que crio
Talvez por amor
Com o coração cansado
Por teu pedido carente
Para ouvir tua voz
Para sentir quem somos nós
Talvez para ver ou para crer
Depois, vou descer…
Para sentir saudade!


Quimera
Em árvores de natal
No momento natal
De olhos na tal
Na tal que vem
Natal que vai
Quimeras dependuradas no céu
Bolas de sabão do cosmo
Luzes que brilham no coração
Amor por tantas estrelas
Deus que jamais duvidou do homem
Deu tanta beleza e insignificância
Para que fosse capaz de amar
Como pode um peito não causar
Lágrimas diante da emoção…

