Prefácio
A que me faz renascer
Que me joga no passado
Remexe meu interior
Faz vida que faz reviver…
A que espanta todos meus fantasmas
Renova o querer e as possibilidades
Me joga nas probabilidades
Que dá realidade aos sonhos…
A que escancara meu peito para as pontas das dores
Um grito nos ouvidos de meu coração
Um toque sutil de amor dentro do nada
O pêndulo da ilusão diante de meus olhos
A que ara meu destino e semeia a esperança
Meus olhos em órbita sempre a procurando
Meus sentidos tentando captar teus pensamentos
Imagino se mexo teu peito ou se ocupo a tua mente
A que me tira a vontade de olhar outras
Beleza que suplanta todos os conceitos
Imagem que enche tudo que leio e ouço
Força que me move sem querer
Flor que enfeita o caminho da minha roça
Lança que me instiga e fustiga
Que suplanta o vazio das nuvens
Que faz a distância se perder no tempo
A que faz as diferenças se igualarem
Que revolve meus escombros e restaura o sentidos da vida
Bruma da manhã que assenta o barro da estrada
Que provoca sobressaltos e faz o sangue seguir mais rápido
Vou pedalando ao seu encanto, que ás vezes encontro
Que me faz andar, que faz correr – não sei pra onde –
Apenas para sentir seu olhar, que penetra meu peito como uma flecha invisível,
Deixando correr dúvidas e incertezas, molhando meus lábios de esperança.
Espalhando as cores na minha paisagem do horizonte infinito
Tudo que preenche o nada, que inunda o pensamento
Transbordando as emoções que se perdem pelo espaço
Que me torna leve e me pendura no céu, e me deixa levitando
Miragem que sacia meus olhos no deserto peito
Se for apenas uma parte do que penso, será maior que tudo
Se for menor do que penso, pode ser o tudo que ainda falta
Poderá ser tão grande que não caiba no meu verso
A pequena que enche meu universo
Estremece meu corpo como se fosse trovoada
Brisa que em silêncio me provoca arrepio, um frio
Balança meu pensamento como as ondas do amar
Arrebentando contra as paredes da solidão
Quisera folhear teu corpo e deixar meu autógrafo
Página que me falta no livro da vida
Primeira página do futuro!?


Hipótese do amor
às outras
Você me propõe um olhar
Contenho-me no vazio
Apenas, o rubor assola-se
E as pupilas dilatam-se
Você me propõe a palavra
As cordas vocais não proferem nada
Apenas, meu coração ventríloquo
Deixa fugir ressonâncias afetivas
Você me propõe um abraço
Refugo um passo
Meus músculos latejam
Ante tal probabilidade
Você me propõe um beijo
O corpo aturdido camba
Sibila no ar, espaço infinito
Um beijo, fica apenas, o intento
Você me propõe o amor
A semântica da palavra
Confunde-se na mente
A assimilação inexiste…


Marasmo
Me sinto como um barco a deriva no meio do oceano
Sem leme. Nenhum vento soprando
Nenhuma brisa sequer para inflar a vida
Um pássaro preso na gaiola
Não adianta lutar, rezar, pedir, espernear. Nada
A mercê do aquém. De onde nada vem
Inútil. Desperdiçado
Um pássaro na gaiola sonhando com um aquário…


Kafkamente falando
Não posso partir com a ida
Se o regresso está lotado
Já arrasto um tanto de vida
Ao futuro me sinto atado
Guardei o sonho no passado
Vou em frente buscando a saudade
O chão já está cansado de meus passos
As feridas na lembrança o calendário curou
O brilho dos meus olhos a lua não quis
Os segredos da vida a palavra não diz
Atrás a esperança se despetalando
A coragem anda com medo dos heróis…

